domingo, 28 de junho de 2015

HÉRNIAS DE DISCO E DORES NA COLUNA: NÃO DÊ OUVIDOS AOS MITOS PERIGOSOS

As patologias degenerativas dos discos, com ou sem hérnias, podem produzir dores em algumas pessoas ou cursar sem qualquer tipo de dor em outras. Assim, nem todas as hérnias produzem dor e nem tudo que produz dor na coluna é hérnia, mesmo na presença de uma. Além disso, as dores eventualmente ocorridas nos pacientes com hérnias, por sua vez, resolvem-se sozinhas, dentro de poucos dias, na maior parte das pessoas, sendo poucas aquelas pessoas que terão uma dor permanente. Assim, poucas são as pessoas que precisam tratar-se de hérnias de disco.

Mas nas pessoas que tem dores permanentemente, que vão além de dois a três meses, é recomendável um tratamento médico adequado e que deve ser bem entendido, pois não necessariamente deve estar voltado para a hérnia em si, uma vez que, como já dissemos, a hérnia pode ser um achado frequente em pessoas sem qualquer sintoma. Nestes casos, a dor presente está sendo mantida por um quadro de inflamação além do normal e esta inflamação exagerada causa, dia após dia, lesões corrosivas progressivas sobre os nervos. Eis o que deve ser tratado!

O tratamento deste quadro de lesão corrosiva dos nervos, chamado pelos médicos de neuropatia, é puramente farmacológico, sem a necessidade de qualquer cirurgia, mesmo na presença de hérnias "grandes". O interessante é que não existe qualquer relação entre a intensidade de dor e o tamanho de hérnia. Hérnias grandes podem estar presentes sem nenhuma dor e hérnias minúsculas podem cursar com dores extremamente intensas. Outro mito que deve ser desfeito é o mito compressão... Mesmo que o senso comum e até mesmo alguns médicos ainda espalhem esta história de que hérnia causa dor porque comprime o nervo, a dor causada por compressão é algo raro, muito raro. O fator mais importante como causa de dor é a alteração do ambiente bioquímico tornado ácido pela inflamação e a consequente lesão corrosiva causada nos nervos. Nestes casos, a cirurgia de nada adianta, podendo até causar piora do quadro por aumentar a lesão tecidual na região.

Outro mito que deve ser desfeito para o bem dos pacientes é o de que exercícios e fisioterapias são tratamentos para hérnias de discos e de dores na coluna. Este é um erro de raciocínio primário, pois, como vimos acima, sendo a causa da dor a inflamação associada a corrosões em estruturas dos nervos, na vigência de uma inflamação e de uma corrosão, os exercícios e as fisioterapias podem aumentar as duas, causando uma piora da intensidade das dores com a facilitação da cronificação da doença. De uma forma a ajudar o tratamento médico, os exercícios e as fisioterapias só devem ser feitos se o aspecto inflamatório e lesional estiver sob controle, e sob ordem direta do médico especialista, que é o único que pode avaliar esta situação, não sendo inteligente se dirigir a qualquer tratamento de reforço muscular, alongamento, tração, mobilização, manipulação, etc, antes da ordem de seu médico especialista sabedor desta realidade.

Outra mania que também deve ser desfeita é a do uso de antiinflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares no tratamento destes pacientes. Sabemos que diante de dores nas costas é muito comum o uso de remédios por automedicação ou por indicação de balconistas de farmácias. Isto não é correto e pode lhe trazer graves problemas futuros. Já sabemos que a causa da dor persistente na coluna costuma ser uma inflamação fora do controle, mas isso não quer dizer que a inflamação deva ser erradicada totalmente com antiinflamatórios potentes. De fato, a inflamação deve ser mantida sob controle para que possa cumprir sua função de cicatrização e reparação. Sem inflamação não ocorrerá a reparação necessária do tecido lesado. Daí, cuidado com o uso não prescrito de antiinflamatórios. Além dos antiinflamatórios, usa-se com muita frequência o analgésico. Esse comportamento de mascaramento da dor também pode trazer graves consequências, pois a dor é apenas uma consequência e o analgésico em nada contribui para a melhora da causa da dor. É algo paliativo e que pode, uma vez que melhora a dor, a ilusão de melhora e a prática de movimentos acima dos realmente toleráveis, agravando a inflamação e a lesão tecidual. Ou seja, o analgésico pode aumentar a inflamação e a própria lesão. 

No caso dos relaxantes musculares, já está bem claro, através de vários estudos bem conduzidos, que seu uso em nada acrescenta ao tratamento de dores lombares ou cervicais. De fato, a contratura muscular é uma defesa necessária para a melhor reparação tecidual e o uso de medicamentos que desfaçam esta contratura poderiam agir contra um mecanismo fisiológico, trazendo prejuízos e não vantagens.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário