sexta-feira, 22 de junho de 2012

DORES DA COLUNA VERTEBRAL: O PAPEL DA LESÃO, DA INFLAMAÇÃO, DA CICATRIZAÇÃO, DA DEGENERAÇÃO NO SURGIMENTO E NO NÃO SURGIMENTO DOS SINTOMAS


Infelizmente, o senso comum - conhecimento tido pela média dos diversos profissionais - no tratamento das patologias da coluna, está longe da realidade mostrada pela evidências consolidadas cientificamente, facilmente visível em seu clarão solar, mas esquecida em um canto qualquer, na grande sombra da ignorância proposital. O simples "não saber" é o que conceituaríamos ignorância pura, mas o "não querer saber" ou o "querer não saber" é algo que merece ser investigado em seus fundamentos motivacionais, pois vai muito além da ignorância, eles são uma anti-ciência. É algo perigoso.

Vejamos alguns exemplos e conceitos...

Imaginemos um paciente com uma dor ciática...  Poderia ser uma braquialgia, uma lombalgia e tantas outras dores da coluna, mas escolhamos a dor ciática... Nesta situação, se nada fizermos de remédios ou tratamentos físicos, obteremos uma melhora substancial dentro de 15 dias em mais de 70% dos pacientes, e dentro de 4 semanas em quase 90% dos mesmos pacientes. Se tivermos mais paciência, iremos ver que poucos pacientes irão permanecer na necessidade de um tratamento para seu problema... Mas a Medicina parece ter perdido a paciência e tem-se alvoroçado em prover uma "solução" para o que já está solucionado de saída. É aí que a "solução" vira um grande problema.

Por incrível que possa parecer aos mais desavisados, a prática exagerada de tratamentos medicamentosos ou de fisioterapias para a coluna tem trazido um grande mal aos pacientes. Explico:

A dor na coluna, em sua quase totalidade, está associada a um processo inflamatório regional, e este processo inflamatório regional, esta tal inflamação tão estigmatizada e demonizada, ao contrário do que se pensa em uma análise mais superficial por aqueles de parvos saberes, não deve ser eliminada, pois a finalidade do processo inflamatório normal é a cicatrização, a reparação tecidual . Dessa forma, o conceito geral do uso indiscriminado de antiinflamatório para as dores da coluna, mesmo que seja bastante lucrativo para o faturamentos das farmácias e bastante cômodo nas consultas médicas no estilo fast-food, é de uma idiotice sem tamanho. O uso dos antiinflamatórios nos moldes atuais é mais um produtor que um tratamento para os problemas da coluna, pois, de fato, os chamados "antiinflamatórios" através principalmente de seus efeitos mascaradores das dores, desligam um alarme essencial do processo biológico, descontrolando os bastidores da inflamação, levando a um desvio patológico do processo fisiológico inicial. Eis um grande desserviço que temos prestado aos pacientes quando recorremos aos tratamentos paliativos das dores através dos famosos Tramal+Profenid venosos feitos nas emergências de todas as cidades brasileiras. E a tragédia não para por aí... Para completar o malfeito, o pobre paciente ainda sai da emergência com a famosa solicitação das 10 ou 20 sessões de "fisioterapias analgésicas", como se o mexer em uma estrutura inflamada, ou o usar de instrumentos e métodos simplórios e superficiais tivessem qualquer efeito sobre um processo complexo como é o processo inflamatório, em suas características genéticas, moleculares, bioquímicas, eletrofisiológicas, fisico-químicas e imunológicas. É uma pena que as coisas continuem assim, uma tentaiva quixotesca de resolver problemas irreais, criando problemas reais. Como dói... Ó Maldita burrice, que luta contra moinhos de vento!

Um comentário:

  1. Dr. Wiron C. Lima; PT,BPT, EFC5 de julho de 2012 17:13

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