sábado, 16 de junho de 2012

CLASSIFICAÇÃO DE MECANISMOS DAS DORES DA COLUNA VERTEBRAL: UMA IMPORTANTE FERREMENTA DE DECISÃO


A ilustração acima mostra os componentes da inflamação: calor, rubor (vermelhidão), turgor (edema), dor e perda da função

O processo inflamatório

É importante que se compreenda o porquê das dores na coluna vertebral. Isto evitará que você caia nas mãos de tratamentos ineficazes e enganadores.

A coluna vertebral é uma sequência organizada de articulações. As anteriores se chamam discos intervertebrais e as posteriores se chamam facetas articulares. Esta maravilhosa estrutura pode sofrer desgaste e inflamação em várias fases, conformeclassificadas pelo Dr Henrique da Mota.

Fase 1 - Inflamação articular circunscrita e transitória
O peso da gravidade e a sobrecarga causada pelos movimentos da coluna, podem gerar inflamações articulares localizadas e provocar pequenas dores, aquelas que qualquer pessoa pode ter ao longo de sua vida, após fazer um maior esforço.

Isto é normal. Esta seria uma dor pré-lesional. É uma dor de aviso, que impede que a sobrecarga prossiga e leve a uma lesão do tecido. Estas dores e suas pequenas inflamações associadas são circunscritas às articulações, e voltam à normalidade em poucos dias, sem deixar sequelas. Nesta fase, a dor característica é de poucos dias.

Fase 2 - Inflamação articular circunscrita, mas persistente

Se as sobrecargas prosseguem e as pequenas inflamações se somam, de tal forma que o poder de rápida normalização seja ultrapassado, as articulações, mesmo assim curam, sem comprometimento que vá além da própria articulação, mas em uma quantidade maior de dias e com sequelas, que constituem o que chamamos de artroses, ou seja, degenerações da estrutura articular. Nesta fase, a dor característica é de duração de algumas semanas.

Fase 3 - Inflamação articular não circunscrita com perineurite

Com a progressão das sobrecargas e degenerações que se somam, as articulações não mais conseguem circunscrever e conter o processo inflamatório, que agora atinge a superfície dos nervos, produzindo disfunções específicas. É o início de um processo de dor que pode durar cerca de 3 meses.

Fase 4 - Inflamação articular não circunscrita com neurite

Com a progressão das sobrecargas, das degenerações que se somam e do aumento do processo inflamatório perineural, a inflamação agora atinge a intimidade dos nervos, produzindo lesões estruturais. É o início de um processo de dor que pode durar além de 3 meses, ou se tornar crônico.

Além dessas fases inflamatórias supracitadas, notamos a existência de uma fase pré-inflamatória, onde não há nenhum tipo de inflamação articular ou neural, mas uma disfunção miofascial axial, prinicpalmente nos músculos curtos da coluna. Isto pode ser sentido com palpações localizadas entre os segmentos vertebrais. Este fenômeno é conhecido na literatura ortopédica francesa como Dérangement intervertébral mineur,que poderia ser traduzido como "desarranjo intervertebral menor". Ele se caracteriza por contraturas localizadas e possui manifestação cutâneas conhecidas como "celulagia", por atingir o tecido fascial. Estes desarranjos são bem conhecidos de todos nós.

Dessa forma, além das 4 fases inflamatórias, existe ainda a Fase 0 - Fase pré-inflamatória.

Poder fazer a diferenciação das fases é uma função essencial para uma ação terapêutica racional, mesmo que muitas vezes a plena caracterização das fases só se faça após a prática de bloqueios intervencionistas. Desta forma, a avaliação clínica isolada não consegue classificar todas as fases do processo.

Dentro do protocolo multidisciplinar de tratamento do Centro Médico da Coluna Vertebral, nosso objetivo é o que podemos chamar de REGRESSÃO DE FASES, das maiores para as menores até que se possa ter o total controle inflamatório e funcional.

Como escolher as terapias

Pelo que você já sabe, as dores da coluna estão intimamente ligadas às inflamações de articulações e nervos, e para cada fase inflamatória existe uma lógica de tratamento. Compreender esta lógica é a diferença entre o sucesso e o fracasso. Vejamos alguns erros comuns e como corrigí-los, levando a um bom tratamento...


1. Evite excesso de fisioterapia

As fisioterapias, como o seu próprio nome expressa, são terapias que se aplicam à recuperação de função. Não há indicação de fisioterapias para controle de qualquer tipo de inflamação e de dor consequente. Inflamação e dor não se tratam com fisioterapia. Agora que você sabe que a dor está grandemente relacionada a inflamações, é lógico perceber que uma alteração química deve ter uma solução química. As fisioterapias devem ser aplicadas após a resolução química da inflamação e da dor (seja por um processo de autoresolução, determinada pela própria natureza biológica, seja pelo uso de medicamentos por via oral ou por infiltração local na coluna). Após a resolução da inflamação e da dor é que se inciam os processos de recuperação funcional. Na verdade, uma das principais causas de manutenção de inflamação e de dores na coluna é a realização, sem indicação, de fisioterapias, que podem causar a progressão de fases da inflamação, como você já conhece.

2. Evite excesso de medicamentos

Os medicamentos anti-inflamatórios são uma importante arma no controle das inflamações e das dores, mas o uso excessivo pode trazer graves consequências, e existem certas fases em que os anti-inflamatórios convencionais não são a melhor indicação, como nas fase 3 e 4. Nestas fases, os medicamentos usados são outros.

O uso dos miorelaxantes também deve ser feito com cuidado, pois em certas situações, a contratura muscular é benéfica como forma estabalização para proteção estrutural. Saber quando a contratura é benéfica ou maléfica é uma função do médico especialista. Não tome remédios por conta própria, ou por informações de conhecidos.

3. Evite excesso de cirurgias

As cirurgias da coluna são de ajuda fundamental, mas a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Saber a boa indicação de cirurgias é essencial. De uma forma geral, as cirurgias de coluna estão bem estabelecidas para os tumores, as fraturas, as deformidades escolióticas e outras.

Para os casos degenerativos, onde exista a compressão medular/radicular ou a perda da estabilidade da estrutura (com movimentos intervertebrais excessivos ou perda do equilíbrio postural global ou regional), também existem indicações relativas.

Mas uma coisa deve ser dita: não se opera uma inflamação, muito menos uma dor!

Antes de qualquer cirurgia, temos que ter a prova de um alvo preciso, como causador da inflamação e da dor; e temos que ter a prova de que a ação estrutural cirúrgica produziria a resolução de algo que esteja produzindo a inflamação e a dor. Cirurgia é técnica de precisão; funciona bem quando bem indicada e pode ser catastrófica quando mal indicada.

Diante de tudo isto, antes de qualquer conduta, é importante que se busque um médico especialista em medicina e cirurgia da coluna vertebral, que compreenda tanto os aspectos clínicos, reabilitativos e cirúrgicos do problema. Esta busca deve ser feita desde os primeiros momentos, nas suas crises, pois é neste momento em que se torna mais fácil a identificação dos fatores causais. É neste tempo que podemos iniciar medidas preventivas que evitem a progressão das inflamações e dores. Não se dirija a profissionais de técnicas alternativas, massagistas, fisioterapeutas, etc. O primeiro passo é descartar problemas graves como tumores, o segundo é identificar a causa das dores e inflamações e o terceiro tratá-la com efetividade. Somente após o tratamento médico, como quarto passo, é que se faz a indicação de fisioterapias e exercícios, como forma de recuperação funcional, e este etapa é de grande importância para o tratamento.

Seguir esta lógica é a melhor forma de ficar livre de suas dores!


Centro Médico da Coluna Vertebral
Torre Saúde São Mateus
Av. Santos Dumont, 5753, Sala 206
Fortaleza - Ceará - Brasil
Fone/Fax: (85) 3265 8300 e (85) 3242 9263
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