sábado, 16 de julho de 2011

O CASO CLÍNICO DA SEMANA: DORES NEUROPÁTICAS COMPLICANDO UM PROCESSO DEGENERATIVO DISCAL BANAL, PELO EXCESSO DE FISIOTERAPIAS E FALTA DE TRATAMENTO ADEQUADO

Paciente de 28 anos, há dois anos com uma lombalgia lateralizada à DIR, que se irradia para sua região glútea, na forma de queimação, e na direção do seu pé, na fora de uma dormência, com alterações de sensibilidade em dermátomos de L4/L5/S1, na forma de uma hipersensibilidade, sem qualquer déficit de força ou reflexos, com Laségue negativo, bilateralmente.

Note-se que não estamos diante de uma ciática clássica, mas de um exame físico que traz indícios de aspectos neuropáticos por sensitização periférica e central, que se fortaleceram com a alta pontuação no questionário DN-4, com a presença de dormência, queimação, choque elétrico e formigamento.

Foi submetida a avaliação psicológica pelo questionáro HAD, sem qualquer alteração importante de seus componentes ansiosos ou depressivos. No questionário de McGill, teve preponderância do componente sensitivo sobre os afetivos. Suas dores são claramente pioradas pela movimentação da coluna e na permanência muito tempo na posição sentada, adotando uma postura antálgica sui generis. Não perecia ter quadros maiores de catastrofismo e de pensamentos automáticos disfuncionais nas avaliações psicológicas de primeira consulta, mas será encaminhada para nosso serviço de psicologia de dor para melhor avaliação.

Diante desta avaliação, fizemos a hipótese diagnóstica de uma dor neuropática por disfunção do nervo sino-vertebral e possível comprometimento de gânglio de raíz dorsal de L5 e S1 à DIR, em uma fase 4/5 de minha classificação de fases inflamatórias.

Partiremos para o bloqueio perineural com droga de dessensibilização de hiperssensibildade mecânica das estruturas neurais + sequência com anticonvulsivantes para controle neuropático e medicamentos próprios para controle do componente ligado a células gliais disfuncionais.

É importante que se conheça a anatomia regional para que se compreenda a o processo anatomofisiopatológico que possa levar a estas alterações e para que se possa planejar a sua cura, baseado neste conhecimento, livrando-se de técnicas inúteis e que podem levar à piora do quadro neuropático, como por exemplo, a prática sem indicação médica especializada de fisioterapias durante a vigência do processo neuropático. De fato, percebemos que as fisioterapias sem indicação e sem prescrição médica, principalmente as que manipulam, mobilizam e tracionam os pacinets, são as principais causadoras de danos à coluna vertebral e ao desenvolvimento de dores crônicas. Não faça fisioterapias sem um correto diagnóstico médico e determinação de conduta terapêutica.

Outro fator que contribuiu para a piora desta paciente foi a persistência em uso de medicamentos analgésicos e antiinflamatórios inapropriados. Desta forma, nas dores neuropáticas, as fisioterapias e os medicamentos mal prescritos podem fazer muito mal à sua saúde.

Dor na coluna é coisa séria, cuidado!


Dr Henrique da Mota, MD, AFSA
Ortopedia e Cirurgia da Coluna
Especialista pela Université de Lyon - França

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